#ForçaSantaMaria: É hora do Brasil repensar seu poder de regulação e atuar com mais rigor

Usei o plenário ontem, dia 05 de fevereiro para registrar, com pesar, minha consternação sobre o incidente ocorrido em Santa Maria.

Nesta segunda feira, dia 04, no Hospital Santa Clara em Porto Alegre, faleceu Pedro de Almeida, um jovem de 20 anos, mais uma vítima da tragédia.

O Estado deve promover o bem estar social, se não houver eficiência nesta prerrogativa podem ocorrer consequências fatais para os seus cidadão, que foi o que ocorreu em Santa Maria.

O Braço regulador do estado falhou e ocorreu aquele incidente desastroso trazendo sofrimento para famílias que perderam seus filhos que tinham todo um futuro pela frente.
É hora do Brasil repensar seu poder de regulação e fiscalização e atuar com mais eficácia, mais eficiência e rigor.
MEUS SENTIMENTOS SANTA MARIA

fonte: PARLATUBE

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Pastor da Assembléia de Deus que viveu de perto a tragédia faz emocionante relato #ForçaSantaMaria

Recebi do Pastor Eliezer Oliveira Cezar este triste relato. Ele está em Santa Maria levando orações e conforto à familiares das jovens vítimas da tragédia do ultimo final de semana.

Este relato me fez refletir ainda mais sobre a importância da vida e da segurança de nossos filhos e irmãos.

Relato sobre a tragédia 27/01/13 – Santa Maria

images (2)Ao saber do trágico acontecido, dirigi-me ao Centro Desportivo Municipal para conceder apoio espiritual as famílias envolvidas e ao mesmo tempo verificar a existência de irmãos nossos que pudessem eventualmente ter perdido seus filhos, ou, familiares na tragédia.
Lá chegando havia uma total confusão do lado de fora, pois da multidão dos que ali estavam todos queriam informações, pois lá dentro estavam os corpos de mais de 230 jovens, e espalhados nos hospitais haviam outros tantos ainda com vida. Como era o início de tudo, as informações estavam desencontradas. O acesso à parte de dentro do ginásio era impossível, mas ao identificar-me como pastor, e apresentar a credencial CIEPADERGS, fui logo autorizado pelos policiais a ter o acesso ao local onde aos poucos ( de 10 em 10) os familiares iam sendo conduzidos para começarem a receber informações.
Lá dentro uma multidão de voluntários, sendo psicólogos, médicos de todas as áreas, enfermeiros, policiais, religiosos…
A medida que os familiares iam adentrando o local, em total desespero, iam sendo conduzidos as arquibancadas, ali, procurávamos entregar uma palavra, uma oração…
Naturalmente que era um momento de difícil abordagem, então comecei a distribuir de forma geral, copos de água, a medida que alcançava um copo de água já procurava abordar e falar de Jesus. Todos os abordados recebiam a oração… Humanamente um momento de total impotência diante de tudo o que víamos, mas crendo no consolo do Espírito Santo, procurei ministrar oração com tantos quantos fosse possível… Em alguns momentos levei copos de água aos que estavam do lado de fora, no sol, agora já com algumas horas de infinita espera…
Em dado momento identifiquei um irmão nosso que buscava informações sobre sua filha… Ele foi conduzido ao prédio ao lado, e logo em seguida me dirigi para lá, foi quando então veio a triste notícia de que sua querida filha de apenas 18 anos de idade, estava entre os corpos que jaziam lado a lado, sobre uma lona preta logo no prédio ao nosso lado, oramos e choramos juntos… Ele somente repetia: Pobrezinha…pobrezinha…pobrezinha…. Foi neste momento que pude ver o pior cenário da minha vida… Todos jovens… bonitos…bem arrumados…meninas ainda maquiadas… vestidas para festa… Alguns poucos, queimados… lembro de apenas um, com o rosto deformado pelo fogo…todos mortos… rapazes de um lado, moças de outro… sobre o peito suas carteiras, documentos, celulares (que segundo relatos daqueles que trabalharam desde cedo, tocavam sem parar)…vidas e sonhos interrompidos…muitos com os braços estendidos, como um último apelo… muitos com um número, para facilitar a localização daqueles que viriam para reconhecê-los dentre tantos…
Neste local o desespero era total, cada vez que um pai, uma mãe ou um parente identificava o seu menino, ou a sua menina…
Após liberados iam para o salão ao lado, lá os recebíamos com uma oração…para alguns um aconselhamento sobre o que fazer… para outros providenciávamos o local para velarem seus mortos. Neste interim, por várias vezes o contato do Pr. João Oliveira, informando-se, nos orientando e disponibilizando os templos para acolher familiares e até caixões, o que ocorreu em algumas congregações…
A cada oração feita, o desabar daquelas pessoas era visível, ao mesmo tempo em que recobravam forças para prosseguir e desenrolar tal situação…
Neste momento eu já estava acompanhado do Pr. Cleber Boáz, que durante a manhã havia prestado assistência no Hospital de Caridade juntamente com o Ev. Cesar Fernandes, e do Pb. Getulio Oliveira, que haviam chegado para juntos assistirmos aquelas pessoas…
Quando sai daquele local, horas depois, do lado de fora para onde olhava, via milhares de pessoas chorando. Quando cheguei em frente a Escola Cilom Rosa, ouvi, vindo de dentro do pátio da escola o choro de um homem de tal forma que não ha como expressar em palavras, voltei entrei no pátio coloquei a mão sobre o ombro daquele homem o clamei aos céus por ele… choramos juntos…(choro ao lembrar e escrever…) era alguém que não conheço, não sei quem era, mas após orar, ele sentou-se e acalmou um pouco, sendo logo cercado por familiares… La dentro do pátio outros irmãos, ao procurá-los, fui informado que tinham perdido um sobrinho…
A noite ao transitar em algumas ruas da cidade, por todos os lados haviam velórios sendo realizados, inclusive em locais mais impróprios, como lojas por exemplo…
No outro dia, recorremos eu e o Pr Boaz, os cemitérios, para levar novamente uma Palavra aquelas famílias, agora já quase vencidos pelo cansaço, mas com o peito igualmente sangrando como no dia anterior… Ainda eram milhares de pessoas, que num total silêncio (interrompido muitas vezes por gemidos e choros…) despediam-se dos seus jovens filhos.
Em nossa atividade, a Igreja Assembleia de Deus foi representada para a assistência espiritual e social, mas haviam alí trabalhando desde o início, muitos profissionais que são membros de nossa igreja, sendo:
Médicos (Dr. Fabrício Lemos, possivelmente houvessem outros, mas este lembro de tê-lo encontrado), enfermeiros (vários), psicólogos, militares (vários, mas com destaque ao Cap. Garcia, que fora entrevistado ao vivo pelo Faustão, e tem matéria falando sobre ele no site G1 http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/01/capitao-diz-ter-tirado-mais-de-180-corpos-de-banheiro-de-boate-no-rs.html  policiais militares e civis, peritos (que foram de grande importância na identificação dos corpos), profissionais das funerárias entre outros…
Enfim, um grande número de profissionais que fazem parte da Assembleia de Deus em Santa Maria, estiveram trabalhando, a muitos de forma solidária.

Isso é apenas uma parte do que vimos e vivenciamos nestes dias…
O trabalho continua para todos, muito mais para nós, que agora temos de acompanhar estas famílias e levá-los a Cristo.

Pr.Eliezer O. Cezar
2º Secretário IEAD/SMrosas brancas

Federação deve garantir a segurança para todos

Santa-Maria-02Santa Maria é uma cidade jovem, onde cerca de 30% da população é de estudantes universitários. Muitos estão lá de passagem, somente até terminar seus estudos, estão longe de suas famílias em busca de conhecimento para um futuro melhor.

Neste final de semana tivemos mais um exemplo da falta de segurança que envolve as diversões em casas noturnas. A partir de uma série de erros 231 jovens perderam suas vidas e assim milhares de sonhos foram apagados.

Como um pai de família consegue ter tranquilidade com seus filhos fora de casa?

É injusto que haja descaso com a segurança dos jovens.  O capitalismo não têm sentimentos. Quanto mais venda de ingressos, mais lucro. Se em Santa Maria, a regra de segurança dos bombeiros estipulava que a boate Kiss tinha capacidade para menos de 700 pessoas, por que os donos da Kiss permitiram que aproximadamente 1.500 pessoas estivessem dentro do recinto naquela noite?

Por que o corpo de bombeiros não fiscalizou essas normas de segurança?

Por que a banda que fazia apresentação naquela noite não sabia que fogos de artifício não podem ser utilizados em ambientes fechados?

Tantas perguntas estão na minha cabeça, imaginem na cabeça dos pais daqueles jovens que perderam suas vidas quando saíam para se divertir.

É preciso criar um sistema rígido de fiscalização, o CREA (Conselho Regional Engenharia Arquitetura Agronomia) é um órgão que poderia contribuir com sugestões para formatação de uma legislação sobre casas de eventos. A realidade é que existe deficiência na presença do Estado Fiscalizador. Esse gargalo é nos três entes da federação.

 

Incêndio é alerta para governo e gestores trabalharem por segurança em espaços públicos, diz ministro

O secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, disse nesta terça feira (29) que o incêndio de domingo (27) em Santa Maria, Rio Grande do Sul, torna oportuno o alerta do governo aos gestores municipais para que, em conjunto com a área federal, trabalhem por leis e normas precisas para que espaços públicos que recebem multidões ofereçam plena segurança. O incêndio na Boate Kiss provocou a morte de 231 pessoas e ferimentos em 118 durante uma festa promovida por alunos de seis cursos da Universidade Federal de Santa Maria.

“O Brasil inteiro está mobilizado nesse objetivo, para que os gestores municipais tenham cuidado com vidas e aumentem o rigor na renovação de licenciamentos, reforçando o papel dos corpos de Bombeiros e da fiscalização, a fim de garantir o máximo de segurança nesses espaços”, disse Gilberto Carvalho. Embora o episódio não possa ser revertido, enseja providências que evitem a repetição no futuro, ressaltou o ministro, após participar do Encontro Nacional de Novos Prefeitos e Prefeitas Municipais, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

O ministro lembrou que o Legislativo federal está propondo uma série de normas sobre a questão da segurança em espaços públicos e ambientes fechados, incluindo uma rigorosa fiscalização nesses locais antes da concessão de licença para realização dos eventos. “Não é possível uma casa de shows funcionar com alvará vencido [como aconteceu no caso da Boate Kiss]. Quando há renovação [da licença], é feita a fiscalização. Por isso, é inconcebível esse tipo de falha.”

Sobre embaraços burocráticos que podem dificultar a concessão de alvarás, Gilberto Carvalho disse que é preciso superar barreiras e sugeriu a conscientização dos prefeitos sobre a questão, porque é na área deles que as coisas acontecem.

Fonte: AGÊNCIA BRASIL