Preço salgado das #tarifas de interconexão são a maior fonte de lucro das operadoras

Anatel teme a implantação da CPI da telefonia móvel. O que uma investigação pode evidenciar nas transações da agência reguladora com as operadoras de telefonia móvel?
Ontem, 03 de outubro, a Folha de São Paulo publicou matéria, citada neste blog, dizendo que operadoras deverão suspender a cobrança nas tarifas de interconexão, o que é uma inverdade. A colunista Mariana Mazza da Band, explica o caso abaixo, vale a pena ler.

As confusões da interconexão
Uma das coisas mais difíceis do consumidor entender no setor de telecomunicações é a interconexão. E este ilustre desconhecido tem um impacto fenomenal no bolso dos milhões de clientes da telefonia fixa e móvel. Hoje, uma matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo informa que a Anatel pretende reduzir as tarifas de interconexão e estaria pensando até em eliminá-las a longo prazo. A notícia deve ter alegrado os consumidores mas, infelizmente, não é bem esse o plano da Anatel.
Segundo o conselheiro Marcelo Bechara, que está cuidando do projeto no momento, a proposta em debate dentro da agência não mexerá nos valores dessas tarifas, mas sim no modelo de pagamento entre as companhias telefônicas. “Não há mais reduções em vista e não há chance da acabar com a VU-M”, disse Bechara. O Valor de Uso Móvel (VU-M), citado pelo conselheiro, é a tarifa de interconexão da rede de telefonia móvel. Em outras palavras, este valor é pago entre as operadoras toda vez que fazemos uma chamada para um celular de outra empresa. E ela é bem salgada: custa R$ 0,41 em média, por minuto. Este valor, junto com o custo do uso das redes fixas – a Tarifa de Uso de Rede Local (TU-RL) – e a margem de lucro das companhias formam o preço cobrado do consumidor. Como as redes fixas são mais antigas e o investimento das empresas já está praticamente amortizado, a TU-RL é baratinha se comparada com a VU-M: custa apenas R$ 0,05 por minuto. Assim, o vilão hoje do preço salgado das chamadas é a VU-M.
Mas, afinal, para que servem essas tarifas? A interconexão distribui os custos de investimento e manutenção de rede entre as operadoras. Este sistema de pagamento é extremamente importante em um cenário onde as companhias são obrigadas a completar as chamadas entre si. Hoje, uma companhia telefônica não pode se negar a completar uma ligação para um telefone pertencente a uma rival. Isto garante ao consumidor a continuidade do serviço, mesmo que ele seja cliente de uma empresa com poucos consumidores.
Por outro lado, operadoras com grande número de clientes acabam sendo obrigadas a fazer investimentos mais fortes em rede para manter a qualidade das chamadas. E, se a maioria dos consumidores estão em sua rede, ela acaba sendo responsável pela qualidade da maior parte das chamadas conectadas, mesmo aquelas feitas pelos consumidores de outras operadoras. Se a chamada é para a rede dela, ela é a responsável.
Assim, a interconexão tem o poder de dividir estes custos. Operadoras com maior número de clientes – e, portanto, com mais chamadas recebidas também – são “pagas” pelas rivais por meio das tarifas de rede. Mas a interconexão também tem seus efeitos nocivos.
Apesar de ser proibido por lei, há fortes indícios de que a interconexão pode gerar um subsídio cruzado entre serviços e clientes. A única confissão de que nem todo o caixa da interconexão é usado para cobrir os custos da rede partiu da TIM em 2005. O então presidente da operadora, Mario Cesar Araujo, admitiu em uma coletiva que a TIM usava os recursos da interconexão para subsidiar o custo dos aparelhos vendidos para os clientes. Esta política não é ilegal, por não usar recursos obtidos com a comercialização de outros serviços que não a telefonia móvel. Mas releva como a interconexão tem uma papel importante para o mercado e para os consumidores.
A briga em torno da necessidade de queda da VU-M é antiga e tem o apoio até de algumas empresas. Quanto menor a participação da companhia no mercado de telefonia móvel, maior a defesa da redução da tarifa. Uma apoiadora histórica do corte da VU-M é a Oi, lanterninha na telefonia móvel. Por outro lado, quanto maior a empresa, maior a reticência em torno da queda da tarifa.
Apesar dos embates no setor, a Anatel aprovou em 2011 um corte progressivo na VU-M. Até 2014, esta tarifa será reduzida em 45%. Em fevereiro deste ano já foi feito um corte de aproximadamente 10%, mas não houve grande impacto para os consumidores porque parte desta queda foi absorvida pela inflação do período. O suposto novo corte de 60% levantado pela Folha fez parte do jogo de propostas debatido pela Anatel na época da aprovação da redução, mas foi rejeitado pelo Conselho Diretor.
A nova reforma da interconexão prevê uma mudança no modelo de pagamento dessa tarifa e não nos valores cobrados. Atualmente, o setor móvel usa um sistema de pagamento chamado de “full billing”. Neste modelo, as empresas pagam VU-M por todas as chamadas que querem completar nas redes das companhias concorrentes. A proposta que a Anatel está estudando é trocar este modelo para o “bill & keep”. Neste outro sistema, usado na telefonia fixa, as empresas só pagam umas às outras quando há um desbalanceamento no tráfego de entrada e saída das chamadas. A equação proposta pela Anatel prevê um bill & keep para as móveis de 60% e 40%. Dito assim, a proposta parece grego. Então vamos explicar o que isso significa.
No bill & keep, a operadora precisa buscar um equilíbrio entre as chamadas que recebe em sua rede e as que partem para redes de outras operadoras. Se, na busca dessa equivalência, o resultado final do fluxo de ligações ficar em 60% de chamadas recebidas e 40% de chamadas para fora da rede, ou vice-versa, ela não pagará nada de VU-M. Para compreender a lógica deste sistema basta pensar que, em um mundo ideal, uma empresa que tem metade das ligações recebidas de outras operadoras (portanto, cobrando VU-M) e a outra metade completada na rede das rivais (pagando VU-M) chegaria ao fim do mês com o caixa absolutamente equilibrado na interconexão. No fim, o lucro vindo dessas tarifas seria zero porque ela teria pago aos outros a mesma quantia que recebeu de suas concorrentes.
Como atingir este equilíbrio não é nada simples – e, hoje, as empresas querem mesmo é receber VU-M e não pagar nada – os órgão reguladores preveem uma margem de erro para o balanceamento. Daí o 60/40. Se o fluxo de chamadas ficar dentro desta margem, elas não pagam nada à rival. Na telefonia fixa, o bill & keep está em 75/25, reduzindo ainda mais o custo da interconexão entre as operadoras. Estes dois modelos são chamados de “parciais”. No bill & keep pleno – desejadíssimo, mas com pouca chance de ser implementado – ninguém paga nada a ninguém, independentemente do fluxo de chamadas. Na prática, isso equivaleria ao fim das tarifas de interconexão, onde as redes seriam de livre uso por todas as operadoras.
O leitor pode estar se perguntando: “e o que isso muda na minha vida”? Muda muita coisa. O alvo dessa nova proposta da Anatel é reduzir a força dos planos ilimitados que fazem tanto sucesso entre os clientes. A base desses planos é manter o consumidor falando apenas dentro da rede da operadora em que contratou o serviço. Você fala de graça ou a um preço baixíssimo quando liga para um celular da mesma empresa e seu bolso sofre quando liga para um telefone de uma operadora rival. Todos já devem ter se perguntado como as operadoras conseguem se manter de pé sem cobrar nada pelas chamadas de seus clientes. A resposta é, novamente, a VU-M. Este modelo só funciona porque de vez em quando vamos escorregar e ligar para uma empresa rival. Isso acontece com os clientes de todas as operadoras. Quando isso ocorre, a empresa paga VU-M para a outra. Assim, quanto mais clientes eu tenho, mais VU-M eu posso receber porque há uma maior chance de os consumidores das concorrentes estarem procurando um telefone que está na minha rede.
Com a nova proposta, a Anatel espera estimular as empresas a deixar mais chamadas irem para a concorrência como forma de manter o equilíbrio da equação. Afinal, se ela não equilibrar o fluxo de chamadas, pagará VU-M às rivais, mesmo que tenha recebido mais ligações do que encaminhado para outras redes. Se conseguir manter o fluxo estimado pela Anatel, terá custo zero de VU-M. A saída encontrada pela agência para acabar com o “efeito clube” – onde os consumidores são estimulados a falar apenas com pessoas que tenham telefone da mesma operadora, como bem destacou a Folha – é muito inteligente. Ao invés de proibir os planos ilimitados, o que seria um desrespeito ao consumidor, a agência quer usar ferramentas regulatórias para equilibrar o mercado. Um dos efeitos colaterais dessa medida, se implementada, pode ser a redução das tarifas. Estou dizendo que “pode” e não que “vai” porque o que está se buscando é um preço mais equilibrado para a telefonia móvel e não um corte. O custo médio das chamadas cairá se o bill & keep for implantado, mas o consumidor dirá “adeus” as ligações de graça, que só são possíveis por conta de um artificialismo mantido pela VU-M.
Mesmo não sendo um corte direto nos custos das chamadas de celular, como noticiado hoje, o plano da Anatel ainda é uma boa notícia para o consumidor. Os ganhos virão de uma racionalização desse mercado e não de uma medida populista de eliminação de uma tarifa que, bem ou mal, ainda tem grande impacto no setor de telecomunicações. Vale lembrar que o alto custo da VU-M pode virar assunto de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. Dois requerimentos para a abertura da CPI já possuem o apoio parlamentar necessário para a investigação. Se a Anatel aparecer agora com uma proposta de eliminação VU-M, apesar de saber que a tarifa é necessária para a manutenção do setor, sinto dizer que o movimento seria mais político do que pró-consumidor. Tem muita gente com medo da CPI e não pode ser coincidência fontes saírem dizendo justamente agora que esta tarifa tem que morrer.
fonte: BAND

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As leis municipais não são entraves como dizem operadoras de #celular, elas protegem o patrimônio dos municípios

Ao contrário do que dizem as operadoras de celular, as legislações municipais não são entraves, são leis que protegem o patrimônio dos municípios, afirmou o secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez.
Enquanto desejam explorar ainda mais o Brasil, as operadoras poderiam pensar em uma forma de oferecer algo para os municípios. Que tal um aluguel pelo terrenos que utilizam? Ou instalação de sistemas de segurança nas antenas?
Para os municípios qualquer benefício é bem vindo. Assim como Eduardo Levy afirmou que a situação das antenas é crítica, a situação econômica dos municípios também é.
Os municípios também estão preocupados com a poluição visual, afinal as antenas sempre ficam em lugares altos e de destaque nas cidades, por que não são apresentadas propostas ecológicas? Antenas que imitam árvores foi uma proposta já discutida neste blog.
Mas não, as operadoras de celular só exploram este país, não cumprem as leis nem se quer respeitam as licenças ambientais e o retorno é sempre em benefício próprio. É hora do governo brasileiro ficar atento e ficar ao lado dos municípios e dos consumidores brasileiros.

Ministério defende diálogo com municípios para Lei das Antenas
O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, disse hoje (25) que é preciso maior diálogo com as prefeituras para implementação de um projeto de lei (PL) nacional para disciplinar a instalação de antenas de telefonia móvel no país. Segundo ele, as diversas legislações municipais que regulamentam o tema, consideradas pelas operadoras como entraves para a melhoria dos serviços de telefonia, têm importantes funções. “São leis que os municípios fazem na defesa dos seus patrimônios histórico e urbanístico”, disse.

Alvarez citou como exemplo a Orla do Rio de Janeiro, que teria a paisagem prejudicada com a ampliação das antenas de telefonia. Por isso, na opinião do secretário, é preciso haver uma mediação com os municípios sobre a PL nº 117, lei nacional que busca corrigir o problema da falta de antenas no Brasil. “Não é assim, sai uma lei nacional e muda tudo. Tem que dialogar com os municípios”, disse.

O secretário executivo participava de um debate no 4º Seminário de Telecomunicações da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. Durante o evento, Eduardo Levy Cardoso, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), disse que a questão das antenas é crítica, já que a tendência é que o problema aumente ainda mais, devido ao alto crescimento na ativação de chips, que chega a um por segundo, o equivalente a 2 milhões por mês.

“E quando você habilita, não sabe onde ela [a pessoa] estará utilizando”, disse. Com isso, Levy diz que as empresas têm a necessidade permanente de acompanhar o trafego da telefonia. “Precisamos ampliar a área geográfica, colocando uma nova antena ou remanejando as existentes mensalmente”.

Para efetuar essas mudanças e ampliações, as empresas têm esbarrado em pedidos de licença para instalações de novas antenas que demoram, em média, dez meses. “Na capital paulista, há 18 meses que não acontece nenhuma liberação”, disse. Ainda, de acordo com Levy, alguns municípios exigem sete tipos de licenças diferentes, o que também dificulta a liberação de novas antenas.

Carlos Cavalcanti, diretor titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, citou outro problema referente à instalação de antenas: ela precisará ocorrer em tempo recorde, sobretudo para a cobertura da rede 4G para atender às cidades-sedes da Copa das Confederações.

Estes municípios precisam, até 30 de abril de 2013, ter um sistema em pleno funcionamento. De acordo com Cezar Alvarez, a análise da Lei das Antenas, porém, deve ficar para novembro ou dezembro deste ano.

Outro assunto levantado durante o seminário foi a integração dos 12 países membros da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), por meio de cabos de fibra ótica. O projeto utilizará 4 mil quilômetros de fibras, com investimento de R$ 235 milhões.

Também foi discutido um projeto do governo que criará de uma zona franca para hospedar sites internacionais no Brasil, possivelmente na cidade de Fortaleza (CE). “A ideia é ter uma política que traga os conteúdos que estão sediados lá fora, ter boas condições de preços para servidores aqui no Brasil. Estamos discutindo [isso] com algumas grandes empresas”, disse Alvarez. A ideia, segundo ele, é também estimular o surgimento de novos sites com domínio .br.

Alvarez destacou que a nova zona franca precisará ter vinculação com leis internacionais. “Não poderia ser exclusivamente lei brasileira ou do município de Fortaleza”, disse.

Fonte: JORNAL DO BRASIL