Poucas foram as mudanças na #telefonia desde a suspensão da venda de novas linhas feita pela ANATEL

c a diretora executiva do Procon Porto Alegre, Flávia do Canto Pereira, Dep. Nelson Marchezan Jr, Dep. Estadual Hernani Polo.

Na audiência estiveram presentes a diretora executiva do Procon de Porto Alegre Flávia do Canto Pereira, o Deputado Federal Nelson Marchezan Jr e o deputado estadual do RS Ernani Polo representando a Frente Parlamentar em Defesa dos Consumidores de Energia Elétrica e Telefonia da Assembleia Legislativa. O RS foi pioneiro na proibição da venda de novas linhas de telefones celulares.

Durante audiência da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática de ontem (11/12) foram abordados os planos de investimentos elaborados pelas operadoras de telefonia celular para a melhoria da qualidade dos serviços, com a presença do Presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) João Rezende e do Diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) Eduardo Levy.

Audiência Pública CCTCI

“A qualidade dos serviços prestados pelo setor de telefonia móvel melhorou pouco desde a suspensão temporária da venda de novas linhas, determinada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em 18 de julho”.

O presidente da Anatel João Rezende destacou as medidas que a agência vai adotar para tornar o serviço mais eficiente e reduzir o número de reclamações, que chega a 6 milhões por ano.
De acordo com Rezende, a partir de 1º de março de 2013, o usuário não vai pagar pela segunda chamada no caso de interrupção da ligação. A intenção de adotar essa medida já havia sido anunciada pela agência no último mês de agosto.

“Nos planos por chamada, toda vez que tiver uma queda de ligação, se o usuário fizer em 2 minutos a chamada para o mesmo número, ele não vai pagar”, disse Rezende.

Fiscalização

Segundo o presidente da Anatel, a agência também vai acompanhar a cobertura e fazer um mapeamento das “áreas de sombra” em 81 cidades com mais de 300 mil habitantes. Rezende disse que o aumento de 13% na instalação de novas antenas é insuficiente e que a melhora da infraestrutura de telefonia é essencial para o serviço.

Restrição a antenas
Para o diretor do Sindicato das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), Eduardo Levy, a implantação de infraestrutura “não acontece da noite para o dia”. Levy reclamou de leis restritivas para o setor. Segundo ele, mais de 250 normas impedem a instalação de antenas em várias localidades do País.

O diretor ressaltou, ainda, que serão necessárias mais de 9.500 licenças para novas torres de celular para iniciar as operações em tecnologia de internet móvel 4G. “E isso apenas para as 12 cidades-sede da Copa do Mundo”, relatou.

Celulares piratas
Além das restrições para a instalação de antenas, o representante das empresas de telefonia atribuiu a sobrecarga da rede aos celulares piratas, aqueles aparelhos não certificados pela Anatel.

Levy destacou que, a partir do primeiro semestre de 2013, esses aparelhos não serão mais introduzidos na rede brasileira. Segundo ele, quem já utiliza celular pirata não será prejudicado. Apenas os novos aparelhos piratas colocados em serviço serão impedidos de entrar em funcionamento.

Fonte: http://www.cenariomt.com.br/noticia.asp?cod=254567&codDep=1

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As poucas melhorias em discussão são tratadas para regiões de grandes concentrações de consumidores. Aí a Anatel e operadoras entram em consenso sobre a instalação de mais e mais antenas que irão poluir cada vez mais o ambiente. Até agora os engenheiros dessas grandes e poderosas empresas não apresentaram nenhuma solução sustentável para duplicação, triplicação de instalações de antenas.
Ainda a maior preocupação dos consumidores evidencia as cobranças abusivas e as cobranças indevidas feitas por estes cartéis multinacionais que dominam o mercado de telecomunicação no Brasil.
Passam os meses e não recebemos respostas do governo sobre nossas denúncias, sobre as investigações que devem ser feitas a respeito de possíveis corrupções geradas por estes cartéis multinacionais.
Afinal, de que o governo têm medo?

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#Qualidade e Preços justos: #CPI DAS TELES JÁ! #21 @folha_com

É preciso ter muito rigor na fiscalização dos serviços das prestadoras de telefonia móvel. Pela primeira vez a agência reguladora está fiscalizando. Nestes anos, após a privatização da telefonia móvel, não houve fiscalização do setor e a situação chegou a este estado caótico que se encontra hoje hoje. As operadoras não cumprem com a legislação, não respeitam os consumidores, cobram valores abusivos pelo serviço que é muito mal prestado, e recebem multas irrisórias que na maioria dos casos nem pagas são.

A Anatel, contudo, não está contestando os altos valores cobrados pela operadoras, mais um motivo para fundamentar ainda mais a importância da CPI das Teles.

Neste dia #21 de novembro, farei uma denúncia ao MPF (Ministério Público Federal) e irei cobrar do TCU (Tribunal de Contas da União) uma rigorosa fiscalização deste caso. Queremos tarifas justas!

Estamos organizando um MOVIMENTO uma MANIFESTAÇÃO em APOIO A CPI, neste dia, pedimos para todos os brasileiros desligar seu celular das 12h às 13horas em sinal de protesto contra as altas tarifas.

 

Anatel promete punir tele que não melhorar qualidade e atendimento ao cliente
As empresas de telefonia móvel no país que não tiverem melhorado os resultados de qualidade e atendimento aos usuários de agosto a outubro sofrerão novas medidas punitivas, segundo informou o presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), João Rezende.
Desde que as vendas das operadoras TIM, Oi e Claro foram suspensas por 11 dias em julho deste ano, a agência vem acompanhando de perto os indicadores de infraestrutura e de atendimento ao cliente de todas as empresas.
Segundo Rezende, os dados específicos sobre a evolução de cada companhia no período ainda estão sendo consolidados pela agência.
Mas técnicos da Anatel já estudam quais serão as punições possíveis para as companhias que melhoraram desde então. “Neste momento não estamos falando mais de suspensão de vendas, mas a nossa área técnica está discutindo outras medidas possíveis”, disse Rezende.
A Anatel dará atenção especial às informações sobre a qualidade do atendimento ao cliente –ou seja, se houve alguma mudança nas taxas de reclamações registradas pelos consumidores na Anatel ou na própria operadora.
Também serão examinados índices de queda de chamada, dificuldade de completar chamadas, congestionamento de linhas e investimentos realizados no período.
Após ter aplicado a medida cautelar que suspendeu a comercialização de novos chips por três das principais empresas de telefonia móvel no país, a Anatel prometeu acompanhar e divulgar, a cada três meses, um relatório completo sobre o desempenho das companhias.

fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

#Telefonia: Altos custos, baixa qualidade #21 @folha_com

O significado de CARTEL segundo a Wikipédia é: um acordo explícito ou implícito entre concorrentes para, principalmente, fixação de preços ou cotas de produção, divisão de clientes e de mercados de atuação[1] ou, por meio da ação coordenada entre os participantes, eliminar a concorrência e aumentar os preços dos produtos, obtendo maiores lucros, em prejuízo do bem-estar do consumidor.

Os cartéis que comandam a telefonia no país, são empresas estrangeiras e seu maior interesse no Brasil é a lucratividade. Neste país onde facilmente é possível fazer acordos com empresas privadas.

Se não houver maior fiscalização no sistema de telefonia, a evolução do serviço continuará como nos últimos anos sem qualidade e com altos custos.

Esse assunto é de interesse de todos, afinal, quem não utiliza o celular hoje em dia?

Faça parte desse debate, apoie a CPI DAS TELES, que irá investigar por que o Brasil tem a segunda maior tarifa de celular do mundo.

Análise: Custo e qualidade dos serviços de telefonia são inconsistentes
Há alguns meses ocorreu com muito êxito o leilão da tecnologia 4G, no caso, as licitações das faixas de 2,5 GHz e 450 MHz. Essa tecnologia, se introduzida com sucesso, pode revolucionar a comunicação móvel no Brasil, principalmente com a banda larga para dispositivos móveis como tablets e smartphones.
Cabe lembrar que, coincidentemente e simultaneamente, a telefonia móvel no país vive uma crise sem precedentes devido à péssima qualidade dos serviços prestados. As reclamações são as mais diversas, desde linhas que caem constantemente, a zonas de sombra, indisponibilidade de linha e cobranças indevidas, entre outras.
Existe uma inconsistência enorme no Brasil entre o custo da telefonia e a qualidade do serviço. A pergunta óbvia que o cidadão comum faz é: para que investir em 4G se nem o 3G funciona direito?
A fonte desses problemas é muito bem conhecida por governo e operadoras: houve um enorme crescimento da base de usuários, num período muito curto, e não foram feitos investimentos compatíveis em infraestrutura. No limite da situação a Anatel inovou e fez o impensável: proibiu a venda de linhas até a apresentação de um plano que corrija os problemas.
Sabe-se que essa situação não será resolvida em curto prazo. Não se resolvem problemas estruturais do dia para noite, mesmo no setor privado. Por outro lado, não se percebeu melhoria nos serviços. Talvez a Anatel precise aprofundar seus mecanismos de supervisão e acompanhamento de investimentos.

Ainda pior será se essa situação se repetir com a introdução da tecnologia 4G. Portanto é momento de aumentar a supervisão sobre os investimentos em infraestrutura de telefonia no Brasil.
É preciso acompanhar o projeto de investimentos prometido pelas operadoras para que os problemas sejam sanados na tecnologia atual o mais rápido possível. E, ao mesmo tempo, deve-se criar mecanismos para que os problemas não aconteçam com a telefonia 4G.
É importante lembrar que estamos a menos de dois anos da Copa do Mundo e a quatro da Olimpíada, e serviços de telefonia móvel são essenciais para o sucesso de grandes eventos.
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

Brasil impede abertura de mercado de telefonia móvel

O mercado de telefonia brasileiro está impedindo que novas empresas façam investimentos no Brasil, se quer permitem participação em licitações do setor.

Pressionado por parceiros internacionais o Brasil diz que não está criando barreias, argumentando que o impedimento para licitações é para incentivar maior competitividade entre as operadoras que já estão atuando no mercado interno. Os Estados Unidos constataram o modelo brasileiro de tecnologia desenvolvida, rebatendo as justificativas do Brasil com perguntas do tipo: “Tecnologia desenvolvida no Brasil por uma empresa estrangeira ou por estrangeiros trabalhando para empresa brasileira é considerada tecnologia brasileira?”
A insinuação foi fundamentada na existência de maior incentivo para exploração de outros países do que incentivo para empresas nacionais, o que não deixa de ser uma grande realidade. O capital nacional é lavado para outros países com incentivo do governo.
E quem paga a conta é sempre o trabalhador, que produz e consome, paga altas tarifas duplamente tarifadas e recebe em troca um serviço ruim e de péssima qualidade, por que nem cumprimento da legislação e investimentos em melhorias são cobrados rigorosamente destas empresas.
Mas o Brasil preferiu, nesta reunião de Genebra, argumentar sobre o IPI da indústria automobilística. Será que não tem argumentos para responder sobre a exploração do mercado de telefonia por que compactua com ele?
Genebra »
Brasil se defende contra críticas de protecionismo e culpa países ricos

Pressionado por seus grandes parceiros comerciais, como Estados Unidos, Europa e Japão, o Brasil contestou nesta segunda-feira (2), numa reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, as críticas de que estaria se rendendo ao protecionismo, isto é, erguendo barreiras contra produtos estrangeiros, na contramão das regras do comércio internacional. O Brasil justificou suas ações, sobretudo na indústria automobilística, culpando a crise mundial e as medidas de incentivo adotadas pelos países ricos para escapar dela. E disse que tudo o que o governo fez foi o que os outros também fizeram: proteger sua indústria.

Duas decisões brasileiras estão na mira dos parceiros: as regras para reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros, taxada de injusta, e as exigências e barreiras na abertura do mercado de telefonia de quarta geração (4G) no Brasil, considerada discriminatórios.

Conteúdo nacional em 4G é alvo de críticas

Não há nenhuma ação formal na OMC — isto é, disputa — contestando as medidas brasileiras. Mas a pressão articulada pelos países ricos é um sinal de impaciência. EUA e Japão estão irritados com as regras para a telefonia 4G, que exigem conteúdo nacional mínimo de 60% para quem quiser participar das licitações para prestação de serviços, fornecimento de equipamentos e sistemas. O primeiro leilão foi em 12 de junho e movimentou R$ 2,9 milhões.
Num discurso lido pela diplomata Márcia Donner, o Brasil argumentou que as regras de licitação para o 4G foram desenhadas para “melhorar a competitividade num setor brasileiro conhecido por ser aberto”. “Todo o procedimento foi não discriminatório e consistente com as regras da OMC”, insistiu a diplomata.
Não satisfeitos, os Estados Unidos partiram para um jogo irônico de perguntas sobre como o governo define “tecnologia brasileira”. “Que critério é esse? A tecnologia tem que ser desenvolvida no Brasil? Tecnologia desenvolvida no Brasil por uma empresa estrangeira ou por estrangeiros trabalhando para empresa brasileira é considerada tecnologia brasileira?”, perguntaram representantes dos Estados Unidos. Mas foi sobre as mudanças no regime automotivo — contestadas sobretudo por União Europeia (UE) e Austrália — que a diplomacia brasileira gastou mais tempo para se explicar.
fonte: Agência O GLOBO

As melhorias que ninguém vê @VEJA

De 3 a 256 milhões de celulares em menos de 15 anos, o crescimento foi muito rápido para empresas que não estavam preparadas para tamanha demanda, e os resultados são esses que a gente vê: Péssima qualidade e taxas altíssimas.
As tarifas de interconexão são a grande fonte de lucro da Claro, Vivo, Tim e OI, cerca de 50% são revertidos em lucros e não em melhorias.
A telefonia móvel é hoje uma grande fonte de saída de recursos do país. No Brasil o usuário de celular paga sem mesmo utilizar o serviço. Merecemos uma auditoria urgente!
Ainda não bastassem os altos valores que os clientes pagam pelo serviço, ainda recebem um péssimo atendimento nos call centers. É frustrante a falta de respeito e competência neste tipo de serviço, a impressão que temos é que os atendentes são treinados para irritar os clientes.
A Anatel deixou bem claro que fez exigências às operadoras e que elas prometeram melhorias e que a Anatel fiscaliza a cada 3 meses o cumprimento destas exigências. O que não ficou claro foi do que mesmo se trata? Quais são estas melhorias? Quanto tempo mais o consumidor terá que esperar?
Aí as operadoras novamente culpam a legislação dos municípios que impede a instalação de novas antenas para que possam oferecer melhorias, mas o que as operadoras oferecem aos municípios? A lei defender os municípios que deveriam receber aluguel pela instalação destas antenas.

João Rezende – Presidente da Anatel, concede entrevista a revista VEJA e fala sobre melhorias na telefonia.

“As operadoras se descuidaram”

Presidente da Anatel avisa que novas punições às empresas de telefonia móvel não estão descartadas. E quer que lição sirva para outros segmentos do setor, como o de serviço de internet e de TV por assinatura

“O que estamos dizendo às empresas é: se quiserem oferecer serviços de internet e de voz ilimitados, ou dar descontos e bônus agressivos, terão que investir na rede e na qualidade para dar contrapartida ao que oferecem”

À frente da Agência Nacional de Telecomunicações desde novembro de 2011, o economista João Rezende tem a missão de colocar o serviço de telefonia móvel de volta nos trilhos. Para isso, vem adotando medidas como a que, em julho, temporariamente proibiu Oi, Tim e Claro de vender chips nos estados onde receberam a pior avaliação dos usuários. Em entrevista a VEJA, Rezende apontou a falta de investimento em infraestrutura por parte das empresas como a causa principal dos problemas recorrentes na telefonia celular e ameaçou: ou elas investem em melhorias na qualidade de seu serviço ou sofrerão novas punições. Em tempo: o celular pessoal do presidente da Anatel é da nanica Sercomtel, operadora de Londrina com menos de 1% de participação do mercado. “Também enfrento problemas de sinal às vezes”, confessa.

O Brasil tinha 15 milhões de linhas telefônicas em 1995. Hoje tem 320 milhões. Estávamos preparados para um aumento dessa ordem?
No processo de privatização, a telefonia fixa foi universalizada e, hoje, apesar de problemas pontuais em uma ou outra região, ela é considerada satisfatória. No caso do serviço móvel, que nasceu com cerca de 3 milhões de celulares e hoje tem 256 milhões, o crescimento do número de usuários não foi acompanhado por um aumento nos investimentos. E esse descompasso trouxe problemas de qualidade.

Que problemas?
A ausência de sinal em alguns lugares e a ineficiência nos serviços de atendimento ao cliente, como os call centers, que não resolvem as queixas dos usuários. Todos nós já experimentamos um sentimento de frustração ao falar com um atendente que deveria ajudar, mas não o faz. Para se ter uma ideia, no ano passado a Anatel recebeu quase 6 milhões de chamados em seu call center. Isso acontece porque as pessoas não conseguem resolver seus problemas nas empresas, e, por isso, recorrem a nós. O problema principal é o alto índice de queda das chamadas. Foi esse o indicador que nos levou a tomar a decisão de punir as empresas há dois meses, quando paralisamos temporariamente a venda de chips. O tolerável é que esse problema ocorra a cada duas chamadas, dentre 100. Em alguns casos, como o da TIM, de cada 10 ligações, 7 não eram completadas. Isso é inaceitável.

A TIM fazia isso de propósito?
Ainda não sabemos e estamos aprofundando as investigações. Se elas indicarem que se tratava de uma ação proposital, teríamos um desvio de conduta absurdo.

Os problemas que o senhor cita não são problemas novos. Por que a Anatel só agiu agora?
Durante um ano, acompanharmos a deterioração dos serviços. A decisão de proibir as vendas não é uma medida fácil de ser tomada. Ficamos um mês discutindo qual seria o melhor caminho. Mas o serviço vinha piorando muito ao longo do último ano. Achamos que era a hora de agir.

As empresas alegaram que a punição foi dura demais.
De fato. Mas tomamos essa medida porque ela tinha um caráter pedagógico. Poderíamos ter aplicado multas, e a Anatel faz isso desde que nasceu, mas achamos que essa era uma forma de deixar claro para as empresas que elas precisam focar em resolver os problemas e prestar um serviço de qualidade. A Anatel não quer fazer o papel de carrasca, mas não podemos nos omitir diante dos problemas. E as empresas não vinham cumprindo os cronogramas que estabelecíamos para a resolução dos problemas. Elas precisam compreender que têm responsabilidades com seus usuários. A Anatem emitiu um sinal que serve de aviso para outros segmentos do setor, como o serviço de rádio provido pela Nextel e as TVs por assinatura.

Mas as punições funcionam?
Veja o caso do Speedy em 2010: quando houve uma crise de qualidade, a venda foi paralisada pela Anatel. Com isso, houve uma melhora significativa no serviço prestado, que hoje já não é mais alvo de tantas reclamações. É evidente que os problemas não serão resolvidos num passe de mágica. E a cobrança do consumidor é importante – ninguém quer perder clientes. Nesse caso, a medida que tomamos mexeu com a imagem das empresas. E elas devem saber que as reclamações chegam à Anatel, que isso não ficará inerte. Em relação às quedas de chamadas, por exemplo, determinamos que, se sua ligação cair, você pode ligar de volta em até dois minutos sem pagar nada. Daremos um prazo para as empresas implantarem essa medida e vamos exigir que isso seja cumprido. Evidentemente, trata-se de uma medida paliativa. Nosso interesse é que a chamada não caia.

E o que está sendo feito para resolver esses problemas de uma vez por todas?
Antes de liberar a venda de novo exigimos um plano de investimentos de cada empresa. E a cada três meses faremos uma avaliação para saber se o nível da qualidade do serviço melhorou. Além disso, novas punições não estão descartadas, inclusive com uma nova paralização das vendas. Mas é evidente que esperamos que uma medida dessas não seja necessária novamente. A causa dos problemas é a falta de infraestrutura. As empresas precisam investir no aumento de suas redes. Estou me referindo à construção de torres de transmissão e de linhas de longa distância, por exemplo. Esse esforço é absolutamente necessário para que a base de assinantes de uma empresa cresça sem comprometer a qualidade do serviço. Fazer esses investimentos é responsabilidade das operadoras.

E por que elas não estão cumprindo com essa responsabilidade?

Elas alegam que há entraves burocráticos, como as legislações de alguns municípios, que criam regras complexas e acabam dificultando a construção de novas torres em seu território. Concordamos que essa questão deve ser discutida e a punição da Anatel suscitou debates sobre a necessidade de se criar uma legislação federal para a instalação de antenas – já há projetos no Congresso tramitando em relação a isso. Mas, do ponto de vista do órgão regulador, os investimentos têm que ser feitos de qualquer maneira, à medida que a base de assinantes cresce. É uma regra comum a qualquer setor do comércio. Se você tem um restaurante e passa a receber mais clientes, você precisa aumentar o número de mesas, funcionários e garçons. É uma coisa natural. As empresas se descuidaram nessa questão e a Anatel recolocou isso no centro do debate. Queremos que elas entendam que a eficiência não compreende só o retorno do acionista ou o número de linhas vendidas, mas também a qualidade de atendimento ao usuário.

As empresas de telefonia celular estão mentindo para o consumidor?
Eu não diria isso, mas elas não podem criar falsas expectativas, anunciando serviços que não conseguem prover. A Anatel não quer se intrometer na estratégia comercial das empresas. Isso seria um tipo de intervenção excessiva. Mas, o que estamos dizendo a elas é: se quiserem oferecer serviços de internet e de voz ilimitados, ou dar descontos e bônus agressivos, terão que investir na rede e na qualidade para dar contrapartida ao que oferecem.

Elas estão vendendo mais do que podem aguentar?
Algumas empresas, às vezes localizadamente, às vezes generalizadamente, estão. Sabemos que há uma demanda crescente sobre o mercado de telecomunicação, principalmente por conta da expansão das classes C e D. Veja o caso das TVs por assinatura: hoje, temos 3 milhões de novos assinantes a cada ano. A expectativa é que 40 milhões de domicílios tenham essa tecnologia em casa nos próximos seis anos. No caso da telefonia móvel, hoje há apenas 70 milhões de celulares com internet – os outros 190 milhões ainda são clientes em potencial. Portanto, o mercado brasileiro é muito atrativo para investimentos. E é claro que queremos que o mercado cresça. Mas não sem qualidade. E estamos fiscalizando as empresas para saber se as melhorias ocorrerão de fato.

A Anatel tem ficais em número suficiente para essa tarefa?

Hoje temos 700 pessoas fazendo esse trabalho em todo o Brasil. Mas eu diria que precisamos muito mais de tecnologia do que de gente. Estamos investindo na modernização de nossos processos de fiscalização, pois temos metas a cumprir para a Copa do Mundo, como dar cobertura 4G às cidades da Copa. Aliás, vamos receber 175 milhões de reais do G-Copa para ajudar nessa questão.

Não é premeditado falar em tecnologia 4G quando ainda temos problemas graves com o 3G?
A obrigação da implantação do 4G é também uma forma de dizer às empresas que elas precisam resolver os problemas do 3G imediatamente. O compromisso inclui oferecer o 3G aos 1.200 municípios brasileiros que ainda não o tem. E acreditamos que a tecnologia 4G estará em funcionamento a tempo – essa é uma obrigação contratual que as operadoras têm com a Anatel. Caso a implantação não ocorra, podemos até executar a garantia do contrato, que chega perto de 7 bilhões de reais. Mas não acreditamos que isso será necessário. Esse é um mercado atrativo porque cada vez mais as pessoas querem usar aplicativos e acessar as redes sociais nos celulares. O Brasil tem um grupo de consumidores interessadíssimos em tecnologia. É um grupo de pessoas que pensa móvel. Ninguém sai de casa para o trabalho sem celular. As pessoas sequer se imaginam sem ele. E a chegada da internet trouxe um processo irreversível a esse mercado. Com a revolução tecnológica que se aproxima, o Brasil pode chegar a ter um bilhão de dispositivos móveis. Nesse cenário, carros e geladeiras terão chips. Há infindáveis aplicativos por vir. As empresas não querem nem podem ficar de fora.

Quanto é preciso investir para implantar novas tecnologias e sanar os problemas?
Considerando o setor de telecomunicações como um todo, as empresas precisem investir 380 bilhões de reais nos próximos dez anos para evitar que tenhamos crises recorrentes. O governo tem ajudado com desonerações para investimentos em redes novas. E a Anatel vai incentivar um maior compartilhamento de infraestrutura entre as operadoras de telefonia celular.

Como?
Criamos um plano que vai obrigar as empresas que detêm poder de mercado significativo a compartilhar sua infraestrutura com outras companhias – claro que não de graça. Vamos incentivar o compartilhamento de dutos, canaletas e postes, por exemplo. Isso daria mais eficiência às redes existentes.

Essa medida não pode ser considerada injusta para as empresas mais bem equipadas?
Repito: isso não seria de graça. A empresa detentora da infraestrutura pode cobrar das que não detêm. Elas também poderiam fazer trocas: uma usaria a instalação da outra em uma região em troca de fazer o mesmo em outro local. Já existem empresas construindo linhas de transmissão de dados que vão de São Paulo a Manaus em conjunto. É importante que elas maximizem o uso de seus recursos, inclusive fazendo alguns investimentos consorciados. Em municípios onde há dificuldades de instalação, o ideal seria que as empresas construíssem, em consórcio, uma torre com várias antenas. Esse não é um caminho fácil, mas é necessário para que elas consigam preencher algumas lacunas. Não estamos falando de uma empresa doando para outra. O mais importante é que elas deixem de ser resistentes em relação a isso e passem a enxergar que essa medida pode ser a solução para muitos problemas.

Ter mais competidores também ajudaria?

Hoje temos cinco empresas de telefonia celular disputando clientes – há muitos outros países com menos. Mas é claro que há nações com serviços de telefonia melhores do que os nossos, como a Espanha e a França, por exemplo. Mas já temos uma competição saudável, o que não quer dizer que a Anatel não possa atrair novos investidores para o mercado no futuro, para atuar em outras frequências.

Quantos celulares o senhor possui?
Dois: um da Claro, que é corporativo, e um da Sercomtel, uma empresa de Londrina da qual fui presidente. Mas, como todo mundo, de vez em quando também enfrento problemas de sinal.

fonte: VEJA